Traduzir

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Pouco somos o que já sabemos ser


     Há muitas coisas que nos distanciam da realidade e uma delas é a ideia de que somos algo ulterior à Natureza e não parte dela. Muitos de nós ainda acham que somos superior à Natureza, o que agrava mais a questão. De uma lado, a Teologia, do outro a Ciência.

      As igrejas seculares, fundadas pelo clero regular, nos implantou há muito essa ideia e eliminou da arena fértil do conhecimento filosófico a evolução do aspecto intuitivo de que somos cocriadores e não criaturas. Sucedendo tal doutrina ao longo das gerações e gerações em organizações sociológicas, a teologia pré-razão amalgamou a ideia de tal maneira que a razão, ainda que passando pelos tempos do iluminismo, pouco se deixou clarear para um visão mais simples da existência como seres vindos de uma natureza ainda desconhecida. Perpetrou uma visão com a ideia de que somos criaturas vindas ao mundo, de alguma forma simplória e desprovida de propósito mais claro, isto é, sem outros objetivos que não obedecer a regras pré estabelecidas e imutáveis.
      Em meio a tantas irrealidades ao longo do nosso tempo, esse falso conhecimento da verdade se fundou e cristalizou. Entretanto, em algum momento da história, se fragmentou em várias formas de conhecimento. Cito as duas mais importantes: a Ciência e a Teologia. Ambas filhas da mesma visão errônea de que somos algo mais físico ou mais denso ou mais terreno ou material criado por algo menos físico ou menos denso ou menos material ou terreno.
     A Teologia alimenta a ideia de que um ser menos material (divino ou sublime) nos criou e cá estamos com o propósito de, após o uso do corpo, sobreviver rumo a esse ser para seguir um caminho não muito dinâmico dentro do que imaginamos ser natural. A Ciência, dentro da sua investigação objetiva, eliminou um ser criador, mas atribuiu o ato ou poder de criar baseado em tempo, energia e matéria. Ela apenas eliminou a personalidade criadora, entretanto continuou com a visão de que somos criados baseado em regras imutáveis e nossa capacidade de existir se apresenta apenas após o momento da criação.
     As duas ideias se firmou fortemente no mundo ocidental e hoje, aqui no  mundo chamado civilizado, apenas recriamos seus ditames, suas regras e suas determinações erradas e mal estruturadas. Muito da confusão atual do mundo pós-moderno se deve ao poder econômico - domínio do material social - está ainda basicamente apoiado nessas duas formas de perceber a realidade.
    Contudo, qualquer ideia séria de sustentabilidade deve passar primeiro pela revisão de nossos paradigmas. Do contrário, será um continuísmo. Não há como criar um conceito cujo atributo maior é sua perenidade ou durabilidade sem que se esgote o que ainda não sabemos sobre nossa existência no universo. Sem assimilarmos de alguma forma algum propósito em nossa existência diferente do Teológico, o qual a existência pós matéria é eternamente inútil aos presentes, e diferente do Científico que eliminou a personalidade da criação e portanto eliminou qualquer propósito, infelizmente, será impossível conceber qualquer coisa que garanta ao planeta uma posição cósmica de maior destaque.